Edição nº 758 de 20 de Novembro de 2017

Abel Campos Figueiredo: regressou ao concelho de Sátão para recuperar casas de granito


2017-04-29

É natural de Outeiro de Cima, freguesia de Ferreira de Aves, concelho de Sátão e reparte-se, em termos de residência, por Avelal, Sintra e Bombarral.

Tem 73 anos de idade e foi precisamente a partir da aldeia de Avelal que iniciou a reconstrução/requalificação de casas de granito antigas, que depois comercializa com pessoas de todo o país.

Chama-se Abel de Campos Figueiredo e foi com ele, que ao longo da sua vida desempenhou as mais diversas atividades e que hoje se recusa a ser “reformado enclausurado”, que trocámos as palavras que se seguem.

 

Dão e Demo: Onde trabalhou antes de se vir fixar em Avelal? Qual era a sua atividade profissional?

Abel Campos Figueiredo: Não estou fixo em Avelal, também tenho habitação em Sintra, onde estou de momento, e em Bombarral, para onde vou quando sinto necessidades ou interesses em alterar a minha estadia.

Comecei a trabalhar com 10 anos, em 1954, e desde drogaria até oficinas de automóveis, passando por talhos, fábrica de parafusos, serigrafia…

Entrei na CRGE, atual EDP, em 1962 e em 1968, enquanto funcionário da EDP, fui convidado para frequentar o curso de programação IBM, tendo iniciado e desenvolvido esta atividade até 1973, donde fui convidado para desenvolver o projeto de informática em Robbialac Portuguesa, onde estive até me reformar em 2002. Com a função de responsável do centro informático.

 

DD: O que o levou a criar o projeto que designou de “Repovoar o concelho de Sátão” e a aplicá-lo neste concelho? Quando o criou?

ACF: O que me levou a criar este projeto foi o reconhecer que não queria ser um reformado enclausurado dentro duma sala com a janela fechada ou semi serrada a ver e a ouvir os carros e as pessoas a passar.

O projeto foi trabalhado, planificado e estruturado, entre fins de 2005 e inícios de 2008 quando o apresentei em Assembleia Municipal, na Câmara Municipal de Sátão, tendo recuperado em meados de 2005 a primeira casa para mim.

 

DD: De que consta esse projeto? É só recuperação de casas ou também visa outros objetivos? Quantas casas já recuperou? Em que freguesias/aldeias tem vindo a recuperar casas?

ACF: Este projeto, “Repovoar o Concelho de Sátão”, visa a recuperação de casas antigas em pedra granítica em ruínas, desenvolver o turismo, recuperar a agricultura, contrariar a desertificação, criar postos de trabalho, dinamizar o comércio, a industria e os serviços, melhorar a qualidade de vida, recuperar a história do concelho e repovoar e revitalizar a vida no concelho de Sátão.

Este projeto também procura desenvolver o turismo, como pode ser verificado no nosso site.

Já foram recuperadas mais de 40 casas, sendo que destas estão incluídas as casas recuperadas na quinta da Enterrenha que se inclui neste projeto.

Destas casas recuperadas, mais de duas dezenas foram em Avelal. As outras, mais que uma dezena, em Decermilo, Douro Calvo, Soito de Golfar e Rãs.

 

DD: Quem são os principais clientes para as casas que tem vindo a recuperar? Quantas pessoas conseguiu trazer para o concelho de Sátão para virem viver para as casas que lhe adquiriram?

ACF: Os principais clientes são gente que procura uma segunda casa e são desde Guimarães até Setúbal. São já mais de 175 pessoas que consegui trazer, a grande maioria só para férias e fins de semana, informo que já há crianças nascidas destes repovoadores fixos, na Quinta da Enterrenha.

 

DD: Este seu projeto tem exclusivamente um intuito comercial, de negócio, ou para além disso motiva-o também o facto de poder dar um contributo cívico para o desenvolvimento do seu concelho?

ACF: Se tem intuito comercial, garantidamente que não, mas não me nego a recolher alguns dividendos pela minha participação e colaboração. Sou satense e reconheci e reconheço que a razão deste concelho ter cada vez menos residentes é a ausência de condições, de desenvolvimento, que os segurem. Onde tudo o que seja desenvolvimento está entregue a quem sabe muito de economia, tanto que transformou este concelho num dos menos endividados mas um dos que tem a menor qualidade de vida.

 

DD: Tem tido o apoio das entidades públicas locais? Se sim, quais apoios?

ACF: Nenhuns, houve inicialmente alguma tolerância, mas a partir do momento que este projeto se tornou visível só recebi complicações gerais da Câmara Municipal de Sátão.

 

DD: Quais os seus objetivos para o futuro?

ACF: Procurar fazer entender a ‘politicagem’ instalada que o desenvolvimento não pode estar bloqueado pela economia, defendendo que o único produto que este concelho tem para vender é o turismo e que este setor por muito desconforto que dê a gente pequena tem que ser desenvolvido.

DD: Muito obrigado


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