Edição nº 729 de 22 de Outubro de 2017

[Crítica de cinema] Mulher-Maravilha (2017)*


2017-06-17

***½ (Vale a pena) 

Wonder Woman (2017) | Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright | Realizado por Patty Jenkins | 141 min.

* Crítica originalmente publicada na edição de 9 de junho do Jornal do Centro.

 

Por: José Pedro Pinto

 

           Esta semana fui ao cinema apenas porque tinha que escrever este artigo: em plena época de seca cinematográfica pós-Óscares, são raros os filmes que pareçam justificar tal jornada, ainda para mais em Viseu, onde – salvo raríssimas exceções – qualquer trabalho minimamente alternativo ficará por estrear nas salas da NOS até à intervenção do Cine Clube. Contrariado e consciente de que pela altura desta publicação já teriam sido escritas centenas de críticas ao filme, lá escolhi a Mulher-Maravilha de entre os vários blockbusters semi-indistintos. E ainda bem que o fiz, porque me lembrou de umas quantas coisas que me tinha esquecido acerca do cinema.

           A primeira responsabilidade do crítico de cinema é ver qualquer filme abertamente e sem juízos pré-fabricados, e a segunda é escrever sobre ele honestamente. Honestamente, a Mulher-Maravilha é um filme maravilhoso. Está longe de ser o trabalho de um artista que usa o cinema como meio de expressão, bem mais próximo de uma colossal operação logística a cargo de uma multidão de técnicos especializados; longe de ser um filme de implicações extra-sala-de-cinema, bem mais próximo de um anestésico cujo efeito passa assim que se acendem as luzes. Mas, nas palavras de Robert Warshow, “um homem vai ao cinema, e o crítico tem que admitir que é esse homem”.

         Ora, eu fui ao cinema, e vi batalhas caóticas estagnarem de repente em golpes acrobáticos filmados em câmara lenta; vi os meandros labirínticos do romance a serem reduzidos a fórmulas narrativas de adiamento/ concretização; vi alemães vilificados e americanos divinizados; vi o caos tornado em ordem com o propósito único de me entreter e às dezenas de pessoas à minha volta, e foram três das horas mais inconsequentes e mais bem passadas que tive este ano. O filme não se propõe a mais, e mais não peço. ***1/2


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