Edição nº 758 de 20 de Novembro de 2017

A problemática dos povoados fortificados no concelho de Sátão: entre o Bronze Final e o início da romanização


2017-07-28

O povoamento rural, entre o Bronze Final e o início da Romanização. A problemática dos povoados fortificados no concelho de Sátão. Achegas para o seu estudo.

A partir da Bronze Final (início do século X até finais do século VIII a. C.) e sobretudo durante a Idade do Ferro (entre o século VII e o início da Romanização na Beira Alta, que medeia os séculos II e I a.C.) emerge uma cultura caracterizada por povoados fortificados, vulgarmente conhecidos por castros. Localizavam-se em lugares elevados, defendidos naturalmente e muitas vezes eram reforçados com uma ou várias linhas de muralha. Estavam estrategicamente posicionados nas proximidades de campos agrícolas e de linhas de água bem como vias terrestres.

As condições geográficas do nosso concelho tornaram-se propícias ao assentamento destes núcleos populacionais em espaços estrategicamente elevados, com ampla visibilidade permitindo um vasto controlo territorial. O ordenamento destes povoados estaria portanto intimamente associado a cursos de água, para defesa e subsistência das comunidades, adaptando-se às actividades agro – pastoris, assim como ao aproveitamento dos recursos fluviais.

A estratégia de assentamento dos povoados fortificados reflecte uma transformação na organização do povoamento e alterações a nível económico e social no interior dessas comunidades. Com o aparecimento destes povoados fortificados verifica-se uma progressiva centralização política e económica, evidenciando uma sociedade complexa e fortemente hierarquizada.

É notória a relação de alguns destes povoados com a exploração mineira, que estariam na origem de rotas de comércio, denotando uma organização da produção e distribuição de produtos. O comércio de metais, por seu turno, pode ter aberto caminho a novas influências culturais visíveis na estrutura social das comunidades e na sua cultura material. Compreender esta nova estratégia de povoamento permite-nos fazer uma leitura da organização e exploração do território ao longo do I milénio a .C.

Nos limites actuais do concelho de Sátão, segundo a carta arqueológica de 1990, refere a existência de quatro “castros”. São eles o castro de Santa Bárbara, no Carvalhal de Ferreira de Aves, o castro de Nossa Senhora das Necessidades, em Rio de Moinhos, o castro de Santos Idos, na vila de Sátão e finalmente o castro de Nossa Senhora do Barrocal, nas proximidade da capela de Nossa Senhora do Barrocal, no Carvalhal de Romãs.

Apesar de terem sido realizadas escavações arqueológicas em dois dos sítios mencionados, referimo-nos aos castros de Santa Bárbara e ao castro da Senhora do Barrocal, não foram identificados vestígios que comprovem a sua efectiva existência. Quanto ao castro de Rio de Moinhos, apesar da sugestiva implantação, a dominar o vale no qual se desenvolve esta freguesia, não nos parece que tenha sido ocupado neste período, ou a sê-lo, os vestígios existentes poderão ter sido arrasados em trabalhos de requalificação ao longo dos anos, conforme pudemos constatar no terreno. No castro de Santos Idos, recentes trabalhos de prospecção revelaram cerâmica decorada, característica da Idade do Ferro e pudemos ainda identificar materiais de cronologia romana e alto medieval, apontando uma ocupação deste espaço de forma interrupta.

Hugo Baptista – arqueólogo

Atualizado 31.07.2017 às 16:22


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